terça-feira, 8 de abril de 2014

a felicidade, meu amor, tem a temperatura do teu colo. 
a chuva a fechar a noite, os cobertores a aquecerem-nos o coração, o meu cansaço, a tua mão no meu cabelo. o mar podia entrar agora pelo chão da sala, invadir o sofá, que nem assim eu acordaria.

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DA
Aquele dia amanheceu como outros tantos...
Era um dia puro, luminoso, chamando à vida.
Mas tinha havido tantas manhãs assim
e o presságio da Natureza em festa tantas vezes tinha mentido!...
E contudo, aquela manhã foi a manhã verdadeira,
e o Sol não brilhou em vão, o mar não foi inutilmente belo,
porque foi, amor, a manhã em que nascemos um para o outro!

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[Adolfo Casais Monteiro]

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

desancorar o coração pra que ele
chegue a outra margem do peito
És precária e veloz, Felicidade. 
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras. 
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo, 
e, para te medir, se inventaram as horas. 

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa. 
Fizeste para sempre a vida ficar triste: 
porque um dia se vê que as horas todas passam, 
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.
©Cecília Meireles,
às vezes
é preciso regressar às palavras
que abandonamos
e abraçá-las
como filhos perdoados
Gil T.Sousa

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

seu olhar de passarinho
pousou no meu sorriso
.......e fez ninho.
Inez Generoso

domingo, 6 de outubro de 2013

É tempo.

É tempo de ainda ires a tempo.
(...)
Porque o tempo, se não sabes deverias saber, apenas se mede em suspiros.
Há quanto tempo deste o teu último?


Pedro Chagas Freitas

sábado, 5 de outubro de 2013

No amor, somos todos meninos. Meninos, pequenos, pequeninos. Sentimo-nos coisas poucas perante a glória descarada de quem amamos. Quem ama não passa de um recém-nascido, que recém-nasce todos os dias.

Miguel Esteves Cardoso
Afinal, todos queremos no peito o nó de um outro peito, o devolver da metade que perdemos ao nascer.

Mia Couto
 

Ceifaram-me as asas
antes de as sentir

como
abri-las
senão imaginando?


Casimiro de Brito

O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho.

Anaïs Nin
 
Podes ficar aqui?
Não vás embora,
precisarei de mais alguns minutos,
horas, dias, semanas, meses, anos,
eternidades para te esquecer…

Fernando Pinto do Amaral
 
de livros e de silêncio me alimento.
Antonio Manuel de Pina

sexta-feira, 28 de junho de 2013

 
sou um gaiola com desejos ávidos por voar.
Inez Generoso

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tem dia que a saudade tá tão afiada que deixa o coração da gente todo fatiado.
Inêz Generoso

As gavetas vazias ficaram cheias de sua ausência e nos armários você deixou penduradas todas as lembranças.
Inêz Generoso

quarta-feira, 3 de abril de 2013

tem hora que o coração fala tanto que a boca se cala..pasma
Inez Generoso

terça-feira, 2 de abril de 2013

 



Não é a primeira vez que me queixo,

ninguém me escuta.

Esta noite a chuva entrou-me pelos ossos

e não há quem acenda o lume.

Quem partiu levou (me) consigo

(...)

deixando atrás de si a porta aberta.


Eugenio de Andrade
Estou farto de escavar nos olhos
abismos de ternura
onde cabem todos menos eu.
Estou farto de palavras de perdão
que me ferem a boca
dum frio de lágrimas quentes de punhal.
Estou farto desta dor inútil
de chorar por mim nos outros.
- Eu que nem sequer tenho a coragem de escrever
os versos que me fazem doer.



José Gomes Ferreira